quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Instrumento das Bandas: Eufônio (ou Bombardino)

O eufônio (também conhecido como bombardino) é um instrumento musical de sopro da família dos metais (brasses). O nome vem do grego euphonos, que significa "som agradável" ou "bom tom", devido à sua sonoridade aveludada, encorpada e profunda.

Principais Características

  • Classificação e Afinação: É um instrumento de tubo cônico com tessitura média-grave, afinado na maioria das vezes em Si bemol. É considerado o equivalente lírico e melódico da voz de tenor na família dos metais.

  • Mecanismo: Possui geralmente 3 a 4 pistões (ou válvulas rotativas). Nos modelos profissionais de 4 pistões, utiliza-se um sistema de compensação que melhora a afinação nas notas mais graves.

  • Diferença para o Trombone e a Tuba: Possui a mesma extensão de notas que o trombone de vara, mas com um som mais suave e arredondado por causa da sua perfuração cônica (ao contrário do tubo mais cilíndrico do trombone). É menor que uma tuba e atua uma oitava acima dela (da tuba em si bemol).

  • Diferença para o Barítono: Embora visualmente parecidos, o eufônio tem o tubo mais largo e expansivo, o que resulta em um som mais denso.

Atuação Musical

ContextoPapel do Eufônio
Bandas de Música / FilarmônicasÉ a voz principal dos solos graves e contramelodias, atuando de forma semelhante ao violoncelo em orquestras.
Bandas de Metais (Brass Bands)Elemento central na seção média, liderando passagens expressivas e virtuosas.
Orquestra SinfônicaUso pontual e específico em obras de compositores como Gustav Mahler, Richard Strauss e Igor Stravinsky (geralmente sob a denominação de "tuba tenor").
Música Popular e JazzUtilizado em arranjos de choro, MPB e jazz solo por sua agilidade e expressividade.

Instrumentos das Bandas: Trombone

O trombone é um instrumento musical de sopro pertencente à família dos metais (brasses). Destaca-se no grupo por ser o único instrumento grave que utiliza uma vara móvel telescópica para alterar a altura das notas, em vez de pistões ou válvulas (embora existam variações com pistões).

1. Construção e Funcionamento

  • Mecanismo da Vara: A vara possui 7 posições fundamentais. Ao estendê-la ou recolhê-la, o instrumentista altera o comprimento do tubo interno, modificando o caminho percorrido pelo ar e, consequentemente, a afinação da nota.

  • Produção do Som: O som é gerado pela vibração dos lábios do instrumentista contra o bocal, acoplado a um tubo cilíndrico que se expande gradualmente até a campana (ou pavilhão).

  • Glissando: Devido ao deslizamento contínuo da vara, o trombone tem a capacidade única de executar o glissando perfeito, passando por todas as frequências intermediárias entre duas notas.

2. Principais Tipos de Trombone

  • Trombone de Vara Tenor (em Si♭): O modelo mais comum e padrão na maioria das formações musicais.

  • Trombone Tenor com Rotor (Si♭/Fá): Possui uma chave (rotor) acionada pelo polegar que adiciona tubulação extra, permitindo alcançar notas mais graves e facilitar formações dedilhadas.

  • Trombone Baixo: Possui calibre interno maior, campana mais larga e geralmente dois rotores, especializado no registro grave e subgrave.

  • Trombone de Pistões (ou "Trombone de Pistos"): Substitui a vara por válvulas semelhantes às do trompete, muito popular em gêneros populares como o frevo, o samba e a música latina.

3. História e Evolução

  • Origem (Sacabuxa): Surgiu no século XV durante o Renascimento, derivado da trompete medieval, sendo chamado originalmente de sackbut (ou sacabuxa). O nome vinha do francês saqueboute ("puxar-empurrar").

  • Música Sacra e Erudita: Por sua sonoridade nobre e capaz de mimetizar a voz humana, foi amplamente utilizado na música religiosa do Barroco e Classicismo (como em obras de Mozart).

  • Inclusão na Orquestra: Beethoven foi um dos pioneiros a introduzir formalmente o trombone na música sinfônica clássica, com destaque na Quinta Sinfonia.

4. Aplicação Musical

O trombone é um dos instrumentos mais versáteis da família dos metais, marcando presença essencial em:

  • Orquestras Sinfônicas e Bandas de Música / Bandas Sinfônicas.

  • Grupos de Metais e Big Bands de Jazz.

  • Música Popular e Regional: Samba, gafieira, salsa, ska, frevo e maracatu.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Pelos Coretos do Mundo: Sociedade Musical Amantes da Lira (Guiricema - Minas Gerais/Brasil)

Colaboração de Leonardo Araújo Ferraz

Presidente da S. M. Amantes da Lira (Guiricema)

A Sociedade Musical Amantes da Lira é uma banda filarmônica sediada em Guiricema, interior de Minas Gerais, Brasil. 

Não há informações precisas sobre a data de fundação da Sociedade Musical Amantes da Lira. Sabe-se que suas origens datam de fins do século XIX, sendo o farmacêutico Batista Caetano de Almeida o seu idealizador. 

A entidade musical teve seu apogeu entre as décadas de 30 e 40 do século passado, sob a direção do maestro e compositor Luiz Coutinho, tendo a mesma desfilado na capital mineira, em 1932, por ocasião da parada dos milicianos, conforme é noticiado no Minas Jornal, periódico em circulação na região de Guiricema à época. De suas fileiras saíram muitos músicos que se destacaram na região e em nível nacional, entre os quais podemos citar o músico tenente Adjalme Rodrigues Silva, que ocupou o cargo de regente titular da Banda de Música do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro na década de 1950.

Com a morte do então maestro Luiz Coutinho, em 15/04/1951, e por divergências políticas locais, aos poucos, a dita corporação foi perdendo forças até encerrar suas atividades por volta do ano de 1961. Em 01/08/1981, ocorreu a primeira reunião com o objetivo de fazer renascer uma banda que, até então, estava adormecida. Participou dessa reunião um grupo de valorosos cidadãos guiricemenses, dos quais não poderia deixar de citar o Sr. Joaquim Carlos Toledo, que foi o responsável por transmitir o conhecimento musical aos futuros músicos da nova formação, muitos destes atuantes até os dias de hoje!

Sr. Joaquim, com toda sua simplicidade, foi a peça-chave para a realização do almejado sonho de reerguer uma entidade que, por mais de 20 anos, ficou adormecida. Sob sua batuta, os vibrantes acordes dos dobrados e marchas voltam a abrilhantar e a emocionar a todos durante os momentos festivos de nossa comunidade.

Atualmente, a Sociedade Musical Amantes da Lira é uma entidade filantrópica sem fins lucrativos, de utilidade pública federal, estadual e municipal, registrada na Fundação Nacional de Artes (FUNARTE) e na Secretaria Estadual de Cultura (SECULT-MG). Em 2010, foi tombada como bem imaterial do patrimônio cultural do município de Guiricema, através do Decreto 2.808/2010, devido ao seu relevante valor histórico e cultural para o município e região.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Instrumentos das Bandas: os Saxhorns (ou Sax-trompas)

O saxhorn (ou sax-trompa) não é apenas um instrumento isolado, mas sim uma família inteira de instrumentos de sopro de metal com pistões e calibre cônico. Eles foram fundamentais para moldar as bandas de música modernas (especialmente as bandas de metais e as tradicionais formações civis e militares).

Origem e História
Modelo histórico de um saxhorn alto do século XIX. Fonte: The Metropolitan Museum of Art

A família dos saxhorns foi patenteada em 1845 em Paris por Adolphe Sax (o mesmo inventor do saxofone).

O grande trunfo de Sax foi padronizar e aperfeiçoar o design de instrumentos que já existiam de forma dispersa (como o bugle de chaves e as cornetas de pistão). Ele criou uma série completa de instrumentos que compartilhavam dedilhados idênticos, proporções cônicas proporcionais e uma grande homogeneidade tímbrica. Isso permitia que um músico migrasse facilmente de uma tessitura para outra dentro da mesma família.

Características Principais

  • Calibre Cônico: Diferente do trompete ou do trombone (que possuem tubos majoritariamente cilíndricos), o tubo do saxhorn se alarga gradualmente bocal até a campana. Isso resulta em um som mais aveludado, encorpado, redondo e focado na fusão harmônica.

  • Campana para Cima: A grande maioria dos modelos foi projetada com a campana voltada para cima (vertical), o que ajudava na projeção equilibrada do som ao ar livre e em desfiles.

  • Pistões Verticais: Utilizava o sistema de pistões para a alteração das notas, garantindo agilidade técnica.

A Família dos Saxhorns e Seus Descendentes
Adolphe Sax projetou essa família cobrindo do registro soprano ao contrabaixo. Embora o nome oficial "saxhorn" tenha caído em desuso em alguns países, a estrutura desses instrumentos sobreviveu diretamente nos metais que usamos hoje em orquestras e bandas sinfônicas.

Instrumento Original (Saxhorn)

Equivalente/Descendente Moderno Mais Próximo

Registro Principal

Saxhorn Sopranino (em Mib)

Cornetim Soprano (Soprano Cornet)/Petit Bugle (Flugelhorn /Fliscorne em Mib)

Agudo

Saxhorn Soprano (em Sib)

Fliscorne (Flugelhorn)

Médio-Agudo

Saxhorn Alto (em Mib)

Trompa Alto (Trompa Tenor)

Médio

Saxhorn Barítono (em Sib)

Barítono/Tenorhorn alemão

Médio-Grave

Saxhorn Baixo (em Sib)

Eufônio (Bombardino)

Médio-Grave

Saxhorn Contrabaixo (em Mib)

Tuba (Tuba Baixo)

Grave

Saxhorn Contrabaixo (em Sib)

Tuba (Tuba Contrabaixo)

Pedal


Saxhorn baixo moderno (com design muito próximo ao do eufônio). Fonte: Wikipedia

Impacto no Repertório e nas Bandas

Os saxhorns revolucionaram as bandas militares na França e no Reino Unido e se tornaram a espinha dorsal das Brass Bands de tradição britânica. Na literatura de arranjo e composição, eles preencheram um vazio crucial de alcance médio e grave que as trompas e os trombones da época não conseguiam cobrir com a mesma agilidade técnica e flexibilidade dinâmica ao ar livre.

Hoje, quando ouvimos o timbre caloroso e aveludado de um eufônio ou a presença robusta de uma tuba em um arranjo para banda de música, estamos testemunhando a evolução direta do conceito que Sax patenteou no século XIX.