terça-feira, 7 de julho de 2026

Pelos Coretos do Mundo: Sociedade Musical Amantes da Lira (Guiricema - Minas Gerais/Brasil)

Colaboração de Leonardo Araújo Ferraz

Presidente da S. M. Amantes da Lira (Guiricema)

A Sociedade Musical Amantes da Lira é uma banda filarmônica sediada em Guiricema, interior de Minas Gerais, Brasil. 

Não há informações precisas sobre a data de fundação da Sociedade Musical Amantes da Lira. Sabe-se que suas origens datam de fins do século XIX, sendo o farmacêutico Batista Caetano de Almeida o seu idealizador. 

A entidade musical teve seu apogeu entre as décadas de 30 e 40 do século passado, sob a direção do maestro e compositor Luiz Coutinho, tendo a mesma desfilado na capital mineira, em 1932, por ocasião da parada dos milicianos, conforme é noticiado no Minas Jornal, periódico em circulação na região de Guiricema à época. De suas fileiras saíram muitos músicos que se destacaram na região e em nível nacional, entre os quais podemos citar o músico tenente Adjalme Rodrigues Silva, que ocupou o cargo de regente titular da Banda de Música do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro na década de 1950.

Com a morte do então maestro Luiz Coutinho, em 15/04/1951, e por divergências políticas locais, aos poucos, a dita corporação foi perdendo forças até encerrar suas atividades por volta do ano de 1961. Em 01/08/1981, ocorreu a primeira reunião com o objetivo de fazer renascer uma banda que, até então, estava adormecida. Participou dessa reunião um grupo de valorosos cidadãos guiricemenses, dos quais não poderia deixar de citar o Sr. Joaquim Carlos Toledo, que foi o responsável por transmitir o conhecimento musical aos futuros músicos da nova formação, muitos destes atuantes até os dias de hoje!

Sr. Joaquim, com toda sua simplicidade, foi a peça-chave para a realização do almejado sonho de reerguer uma entidade que, por mais de 20 anos, ficou adormecida. Sob sua batuta, os vibrantes acordes dos dobrados e marchas voltam a abrilhantar e a emocionar a todos durante os momentos festivos de nossa comunidade.

Atualmente, a Sociedade Musical Amantes da Lira é uma entidade filantrópica sem fins lucrativos, de utilidade pública federal, estadual e municipal, registrada na Fundação Nacional de Artes (FUNARTE) e na Secretaria Estadual de Cultura (SECULT-MG). Em 2010, foi tombada como bem imaterial do patrimônio cultural do município de Guiricema, através do Decreto 2.808/2010, devido ao seu relevante valor histórico e cultural para o município e região.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Instrumentos das Bandas: os Saxhorns (ou Sax-trompas)

O saxhorn (ou sax-trompa) não é apenas um instrumento isolado, mas sim uma família inteira de instrumentos de sopro de metal com pistões e calibre cônico. Eles foram fundamentais para moldar as bandas de música modernas (especialmente as bandas de metais e as tradicionais formações civis e militares).

Origem e História
Modelo histórico de um saxhorn alto do século XIX. Fonte: The Metropolitan Museum of Art

A família dos saxhorns foi patenteada em 1845 em Paris por Adolphe Sax (o mesmo inventor do saxofone).

O grande trunfo de Sax foi padronizar e aperfeiçoar o design de instrumentos que já existiam de forma dispersa (como o bugle de chaves e as cornetas de pistão). Ele criou uma série completa de instrumentos que compartilhavam dedilhados idênticos, proporções cônicas proporcionais e uma grande homogeneidade tímbrica. Isso permitia que um músico migrasse facilmente de uma tessitura para outra dentro da mesma família.

Características Principais

  • Calibre Cônico: Diferente do trompete ou do trombone (que possuem tubos majoritariamente cilíndricos), o tubo do saxhorn se alarga gradualmente bocal até a campana. Isso resulta em um som mais aveludado, encorpado, redondo e focado na fusão harmônica.

  • Campana para Cima: A grande maioria dos modelos foi projetada com a campana voltada para cima (vertical), o que ajudava na projeção equilibrada do som ao ar livre e em desfiles.

  • Pistões Verticais: Utilizava o sistema de pistões para a alteração das notas, garantindo agilidade técnica.

A Família dos Saxhorns e Seus Descendentes
Adolphe Sax projetou essa família cobrindo do registro soprano ao contrabaixo. Embora o nome oficial "saxhorn" tenha caído em desuso em alguns países, a estrutura desses instrumentos sobreviveu diretamente nos metais que usamos hoje em orquestras e bandas sinfônicas.

Instrumento Original (Saxhorn)

Equivalente/Descendente Moderno Mais Próximo

Registro Principal

Saxhorn Sopranino (em Mib)

Cornetim Soprano (Soprano Cornet)/Petit Bugle (Flugelhorn /Fliscorne em Mib)

Agudo

Saxhorn Soprano (em Sib)

Flugelhorn/Fliscorne (em Sib)

Médio-Agudo

Saxhorn Alto (em Mib)

Trompa Alto/Trompa Tenor

Médio

Saxhorn Barítono (em Sib)

Barítono/Tenorhorn alemão

Médio-Grave

Saxhorn Baixo (em Sib)

Eufônio (Bombardino)

Médio-Grave

Saxhorn Contrabaixo (em Mib)

Tuba (Tuba Baixo)

Grave

Saxhorn Contrabaixo (em Sib)

Tuba (Tuba Contrabaixo)

Pedal


Saxhorn baixo moderno (com design muito próximo ao do eufônio). Fonte: Wikipedia

Impacto no Repertório e nas Bandas

Os saxhorns revolucionaram as bandas militares na França e no Reino Unido e se tornaram a espinha dorsal das Brass Bands de tradição britânica. Na literatura de arranjo e composição, eles preencheram um vazio crucial de alcance médio e grave que as trompas e os trombones da época não conseguiam cobrir com a mesma agilidade técnica e flexibilidade dinâmica ao ar livre.

Hoje, quando ouvimos o timbre caloroso e aveludado de um eufônio ou a presença robusta de uma tuba em um arranjo para banda de música, estamos testemunhando a evolução direta do conceito que Sax patenteou no século XIX.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Instrumentos das Bandas: Trompa

A trompa (também conhecida como trompa francesa) é um instrumento de sopro da família dos metais. Caracteriza-se por seu tubo longo e enrolado, além de uma campana ampla. Produz um som aveludado, imponente e rico. Funciona através da vibração dos lábios do músico no bocal.

Como Funciona
  • Mecanismo: Possui válvulas (ou rotores) acionadas pela mão esquerda para alterar a altura das notas.
  • Técnica da mão: A mão direita fica repousando dentro da campana. Ela é usada para afinar levemente o som, segurar o instrumento e criar efeitos de timbre (como o som abafado, chamado de bouché).
  • Tubo: É um tubo cônico que pode chegar a quase 4 metros de comprimento

Origem e História
  • Primórdios: Evoluiu a partir de antigos chifres de animais usados na caça e em rituais.
  • Evolução: Antes de possuir válvulas, era uma "trompa natural" e seu som dependia apenas da tensão dos lábios do músico.
  • Orquestra: Tornou-se um membro essencial das orquestras sinfônicas a partir do século XIX, servindo como uma "ponte" para harmonizar o som de cordas e madeiras.
Fontes:

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Instrumentos das Bandas: Cornet (ou cornetim)

Cornetim (Cornet) em Si bemol. Fonte: Wikipedia

O cornet (ou cornetim) é um instrumento de sopro de metal, parente do trompete, mas com um som mais doce e aveludado devido às suas voltas mais compactas e bocal mais profundo, sendo popular em bandas marciais, fanfarras e jazz, ideal para iniciantes por ser mais próximo da boca, evoluindo do antigo post horn e da corneta de chaves para o formato valvulado atual, com a mesma extensão do trompete, mas com timbre distinto. 

Características Principais

  • Som: Mais suave, doce e menos projetado que o trompete, com timbre expressivo e brilhante.
  • Formato: Tubo cilíndrico/cônico mais enrolado que o trompete, com três pistões (válvulas).
  • Bocal: Geralmente mais profundo (em formato de funil), contribuindo para a sonoridade aveludada.
  • Técnica: Semelhante ao trompete, usando vibração dos lábios, mas com um lead pipe menor. 
Cornetim Soprano (Soprano Cornet) em Mi bemol. Fonte: Wikipedia

História e Uso

  • Origem: Desenvolvido a partir do post horn (trompa de postilhão) e cornetas de chaves do século XIX, substituindo-as gradualmente.

  • Popularidade: Forte presença em bandas de metais, bandas de concerto e no jazz, com solistas renomados.

  • Indicação: Ótimo para iniciantes, especialmente jovens trompetistas, por ser mais acessível fisicamente. 

Relação com o Trompete

  • Semelhança: Possui as mesmas notas e extensão do trompete. Geralmente é afinado em Si bemol, Dó e Mi bemol (Cornetim soprano).

  • Diferença: A principal distinção está na forma do tubo e do bocal.